15 de jul de 2010

Concepções Sobre População

De início não pretendo supor que se começou a pensar em população apenas no século VXIII, porém a atualidade dos temas tratados é que fazem necessários um retorno do pensamento Malthusiano e Marxista para entender as bases do pensamento da população no século XX e com isso tentar entender a complexidade da realidade social e histórica.

A Teoria de Malthus

Foi em 1798 que Thomas Robert Malthus escreveu seu primeiro ensaio sobre o princípio da população, e em 1803 publicou a segunda edição que foi ampliada, e, após essas, quatro outras edições, sendo a última delas em 1826.

O período histórico que antecede tudo isso é aquele que vai do séc XIV ao XVI que reflete a expansão capitalista frente a decadência do antigo regime feudal. Então, há aí uma separação dos meios de produção e subsistência praticados no seio da medievalidade com o mercado de trabalhadores livres, sendo expresso de inicio na Inglaterra.

Tem-se ai a acumulação originária que foi o ponto de partida da acumulação capitalista, sendo os trabalhadores separados da propriedade sobre as condições da realização do trabalho, ou seja, o trabalhador não tem mais vinculo com a terra e com o seu senhor. A relação não é mais servil, é uma relação de trabalhadores livres e burguesia.

Já no século XVIII enquanto a Inglaterra vive o industrialismo, momento em que Malthus escreveu seu ensaio sobre o principio da população há uma mudança nas relações de trabalho impulsionadas por um contexto novo. Os empregados de inicio, que eram homens adultos, agora são crianças e mulheres, que trabalham em algumas fases do setor produtivo substituindo o homem e gerando então grande desemprego e movimentação de trabalhadores pelo território, a migração, obrigando-os assim a trabalhar de um lugar para o outro, mudando suas relações familiares e aumentando entre outras coisas a mortalidade infantil.

Esse contexto de mudanças drásticas promove o movimento dos quebradores de maquinas. Foi aí que se deu o inicio da luta da classe trabalhadora para enfrentar a situação de precariedade em que se encontrava. Nesse quadro é que devemos então analisar o homem Malthusiano.

Em seu primeiro ensaio, Malthus critica os socialistas utópicos, que eram aqueles que sonhavam com uma sociedade igualitária como solução a situação de miséria em que se vivia. Podemos citar alguns desses socialistas, como Condorcet e Wallace. Malthus dizia que “ a causa verdadeira da miséria humana não era a sociedade dividida em proprietários e trabalhadores, entre ricos e pobres”, negando deste modo que uma sociedade sem classes e igualitária seria a solução para a miséria como propunha os socialistas. Para Malthus “a miséria seria na verdade um obstáculo a ser considerado como positivo que sempre atuou na historia humana para equilibrar o desnível que há entre a multiplicação dos homens e a produção dos meios de subsistência”, que em outras palavras chamamos de produção de alimentos.

Deste modo, Malthus constataria que existe uma lei natural. Essa lei natural evidencia que a população cresce num ritmo geométrico e os produtos de subsistência, a produção de alimentos, num ritmo aritmético.

Ex: PG 2,4,8,32,..

PA: 2,4,6,8,10,12,,,,,,,

Assim, a miséria e o vício seriam positivos ao crescimento da população, pois eles reequilibrariam essas forças tão desiguais, pois a paixão entre os sexos excede a capacidade da terra de produzir alimentos para a sobrevivência do homem. Isso tudo ocasionaria uma forte pressão restritiva, ou seja, que restringia o acesso aos alimentos, sendo que os mais pobres ficam com a pior parte e uma menor parte da população convivendo com a fome e a miséria. Assim para Malthus a fome e a miséria são maus necessários.

A miséria segundo ele, faz com que se reduzam os matrimônios, pois se torna caro e difícil sustentar os filhos e por outro lado obriga os cultivadores a aumentar o emprego de Mão-de-obra e abrir novas áreas para o cultivo e re-equilibrar a relação população e recursos. Entretanto ao se ampliar os meios de subsistência a população volta a crescer, vivendo assim sempre num progresso e retrocesso.

Criticando mais uma vez a idéia dos socialistas utópicos, Malthus dizia que uma sociedade igualitária estimularia os nascimentos e dessa forma estenderia a pobreza a todos, e uma luta pala sobrevivência em meio a tantos pobres faria triunfar o egoísmo. Ele inclusive é contra qualquer forma de assistencialismo do estado em favor dos pobres, considerando como algo nefasto,( FALSA IDEIA DE MUDANÇA DE VIDA) pois reduziria a miséria apenas em curto prazo e estimularia o casamento e a procriação dos indigentes. ( coitado do bolsa família se Malthus estivesse aqui).

A produção de alimentos seria limitada, pois depende de espaços cultiváveis, fertilidade do solo, disponibilidade de empreendedores na atividade.

Ex: Estados Unidos tem boas condições e por isso o crescimento populacional ali dobraria de 25 em 25 anos.

Já a Europa teria dificuldades por questões de limitação do solo, de carência de áreas e elevado custo de produção. Dobrando a população de 300 ou 400 anos.

Algumas questões

1. Não estaria Malthus fugindo ou subestimando as relações sociais e econômicas que eram particulares ao momento histórico em que viveu, como fonte explicativa da pobreza, refugiando-se, como principio motor de sua teoria, numa relação numérica abstrata? ( apenas uma relação inexpressiva de números) afinal ele era considerado um ideólogo da burguesia, seu defensor e legitimador.

Temos na crítica de David Ricardo um questionamento a cerca dos fundamentos de Malthus quando faz uma instigação “ o quanto de trigo disponível é absolutamente indiferente ao trabalhador, se ele carece de ocupação e não pode adquirir esse trigo. Portanto, são os meios de emprego e não os de subsistência que colocam o trabalhador na categoria de população miserável ou não”.

2. o desenvolvimento da indústria impediu o desenvolvimento da produção agrícola? Hoje, não se produz infinitas vezes mais do que em sua época, com proporcionalmente menor quantidade de trabalhadores agrícolas? Pois segundo Malthus o crescimento da população induziria a incorporação de novas áreas ou a intensificação das já existentes. Tanto num caso com no outro elevaria os custos de produção.

3. existiriam limites no entendimento do homem por malthus?

O homem de malthus é aquele sujeito a paixão entre os sexos. Invariável em todas as épocas e traduzido em multiplicação matemática. O homem Malthusiano se resume a procriação regulada pela miséria e pelos vícios, pelo matrimonio e pelo celibato.

No próximo post continuarei esta reflexão sobre população, desta vez com as idéias reformistas marxistas que colocam em xeque os postulados de Malthus.

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