29 de ago de 2010

TURISMO E GEOGRAFIA

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Seguindo a temática do turismo em que sempre trabalhei, publico este post com uma pequena reflexão teórica em torno da questão. Se o francês Yves Lacoste disse que: " a geografia serve em primeiro lugar para fazer a guerra" , eu digo que ela serve em segundo lugar para fazer o turismo e justifico com o texto que segue...

4 de ago de 2010

MARX E A POPULAÇÃO

Como prometido no post anterior, segue mais reflexões sobre a população.

Considerando a perspectiva de Marx sobre a população, podemos concluir que para ele a população excedente ou sobrepopulação, qual seja aquela que excede pelo crescimento da população a quantidade dos meios de subsistência e que geraria pobreza, na verdade não existe. Para ele o pobre não é somente aquele privado de recursos, mas aquele que também é incapaz de se apropriar dos meios de subsistência por meio do trabalho. Assim podemos relembrar então do exemplo de DAVID RICARDO quando citou o trigo ( no post anterior).

Para Marx a qualidade de necessitado dado ao trabalhador é decorrente do fato dele depender sempre da necessidade que o capitalista tem de seu trabalho, ou seja, é o capitalista que o coloca na condição de necessitado ou não. Isso porque no capitalismo o que importa é o lucro e não a satisfação das necessidades. Logo, se manter muitos na condição de necessitados gera lucro, pouco importa quantos miseráveis teremos.

Com relação à produção, a quantidade de população força de trabalho advinda do crescimento natural não é o único fator e só ele não basta, pois a produção capitalista vai além desse fator e além de tudo toda a população não é absorvida: temos idosos, crianças etc.... é claro que o número de trabalhadores ocupados aumenta conforme aumenta a produção, porém esse aumento é decrescente. Isso porque os meios de desenvolver a produção, que são os meios de produção, no capitalismo são também meios de exploração e dominação da classe trabalhadora.

O aumento da produção também implica no desenvolvimento de técnicas, novas máquinas, mais matéria-prima, portanto meios de trabalho e de Mão-de-obra (trabalho vivo e morto). Assim, nem os já empregados e nem os adicionais necessariamente serão absorvidos, gerando uma massa de trabalhadores disponíveis, trabalhadores inativos, podendo ou não ser usados de acordo com a necessidade de ampliação do capital.

Assim, a superpopulação é tanto resultado como condição da acumulação do capital. Isso por que as condições de ampliação do capital geram mais excedente populacional e esse excedente populacional serve como fator para exploração do trabalhador e conseqüente acumulação maior. Como?

Isso ocorre de duas formas: serve para regular os salários/ e é material humano disponível, a ser usado, independente do aumento real de produção.

Temos ai então o que Marx chama de exercito industrial de reserva, formado por trabalhadores desocupados ou semi-ocupados, servindo como uma pressão para rebaixar ou manter os salários dos efetivamente ocupados. Já que podem ser substituídos.

Os trabalhadores se submetem a várias formas de exploração do seu trabalho, aumentando por exemplo as horas trabalhadas... e cada aumento na jornada de trabalho significa menos trabalhadores novos empregados. A redução de jornada de trabalho pode significar mais trabalhadores empregados. Existe um projeto para essa redução no Brasil, de 44h semanais para 40 h semanais. Essas e outras formas de exploração do trabalhador (mais-valia) geram grande leva de miseráveis.

Há ainda diversos contextos que podem gerar desemprego conjuntural e escassez de Mão-de-obra. Como pode haver desemprego e falta de Mão-de-obra ao mesmo tempo? Isso porque a divisão do trabalho fixa o trabalhador em certo tipo de trabalho e o impede de migrar para novas atividades. Desse modo podemos presenciar um momento em que existem muitos desempregados e falta e trabalhadores em algum setor. Ex: hoje no Brasil temos muitos desempregados, mas sobram vagas na construção civil, informática (porém isso não é homogêneo em todo território).